Lindo, claro, apesar das nuvens de tempestade. Por aqui perto também anda um tufão. Enfim, o vento o vento levará e o sol brilhará de novo. Beijo solarengo (a priori).
verdes rosas as talhadas à mão prensa eternizada de areias contorna a rosa, rosa contorna-te chupa o verde do ar para o coração imortaliza-te na terra como um corpo que não sofre a erosão
“breve apontamento debaixo do céu. das pedras e das rosas.”
Traz-me um pedaço dessas pedras nuas, e com ele modelarei os meus dedos de argila. E os meus dedos de argila hão-de ter raízes, e as raízes hão-de converter-se em negros xistos. Negros xistos que hão-de ser foliados, para que dos seus folíolos nasça uma ardósia e dessa ardósia brote uma roseira negra. Roseira negra que dará rosas de azeviche, de pétalas dilaceradas como as minhas mágoas. E essas rosas negras hão-de transfigurar-se em cem claves mudas, num teclado de ébano, quase de piano, e deste exíguo piano não cordado hão de sair laivos de tinta inanes que cruzarão o vazio e se projectarão em arabescos frios, vidrados, que se derramarão sobre um frígido e opálico cristal de vídeo, onde tento perscrutar os horizontes perdidos da distância abismo de todas as memórias, numa floresta labiríntica e panda de sons mudos vestidos de espelhos de espuma e de lâmpadas estranhas. Mas, porque não há corredores nos negros horizontes do esquecimento súbito, de novo me perco por entre as rosas negras do jardim-labirinto por onde “sisíficas” vagueiam as minhas mágoas. Agradeço, todavia, um pedaço dessas pedras nuas. Para dele extrair uma roseira negra que plantarei no meu jardim de flores negras. :)
pergunto-me porque é que nunca chego a tempo, como se me saltassem os dias ou eles não existissem. como se fosse eu a esconder-me nas pedras e nas rosas.
28 comentários:
vagens coloridas de pele.
beijo!
Fico presa nos teus muros de pedra.
~CC~
resistentes
as narrativas petrificadas
em subterrâneos enigmas.
brevíssimo (e sem memória)
o tempo
à superficie.
beijo.
portentoso véu. portentosopost (e, não me importo de ser repetitivo, quando isso corresponde à verdade).
belo fluir
no todo tudo
um beijo
grande
A vida só tem sentido para quem a sente.
Breve verde.
Musgo-me.
e beijo-te.
Audácia dos vestígios que elides.
Abraço daqui-aí.
breve que seja! sobre o chão...
pétrea semente esse corpo dado à Terra deu...
é tão difícil poder dizer algo. a combinação de imagens é lindíssima. obrigada, isa. beijo*
Olá. Sabes porque é que não apareço há tanto tempo?
Porque ando na tecno...
Visita esperada
Bj______
portentoso céu de chumbo, de pedra...
alegoria do que não tem fim,
e é cíclico, como as nuvens.
(não vejo rosa, vejo mãos)
:)
um beijo
até.............................*
aqui respiro, sempre...
bela.
beijo
Pois.
Restam as pedras.
que respiram
pudesse eu ver o desafio da folha descuidadamente branca.
pudesse eu sentir o vibrar impaciente da caneta.
e magicamente todos os sonhos teriam asas.
L.
neste blog não se devia comentar:
simplesmente ficar em contemplação...
breve apontamento, breve fluir, breve narrativa, tudo a divagar na mais profunda emoção de um muro de pedras com perfume de rosas.
Lindo, claro, apesar das nuvens de tempestade. Por aqui perto também anda um tufão. Enfim, o vento o vento levará e o sol brilhará de novo. Beijo solarengo (a priori).
Gosto das imagens que fazem sentir um arrepio na pele.Gosto das palavra que me fazem pulsar o som dos dias.
um bjo Piano
palavras que não precisam de imagens. :)
um abraço
verdes rosas as talhadas à mão
prensa eternizada de areias
contorna a rosa, rosa contorna-te
chupa o verde do ar para o coração
imortaliza-te na terra
como um corpo que não sofre a erosão
das cores me alimento
com o traço risco céus planícies oceanos
e os animais (racionais e os outros)
são o meu deleite
das pedras e das rosas
é comumente aceite
que delas se levantem prosas
poemas e águas mil
pois convém não esquecer
que estamos em abril.
abraço e óptimo fim de semana.
Contemplativa a pedra da primeira imagem. :)
bfS
Texto prodigioso. Como sempre.
“breve apontamento debaixo do céu. das pedras e das rosas.”
Traz-me um pedaço dessas pedras nuas, e com ele modelarei os meus dedos de argila. E os meus dedos de argila hão-de ter raízes, e as raízes hão-de converter-se em negros xistos. Negros xistos que hão-de ser foliados, para que dos seus folíolos nasça uma ardósia e dessa ardósia brote uma roseira negra. Roseira negra que dará rosas de azeviche, de pétalas dilaceradas como as minhas mágoas. E essas rosas negras hão-de transfigurar-se em cem claves mudas, num teclado de ébano, quase de piano, e deste exíguo piano não cordado hão de sair laivos de tinta inanes que cruzarão o vazio e se projectarão em arabescos frios, vidrados, que se derramarão sobre um frígido e opálico cristal de vídeo, onde tento perscrutar os horizontes perdidos da distância abismo de todas as memórias, numa floresta labiríntica e panda de sons mudos vestidos de espelhos de espuma e de lâmpadas estranhas. Mas, porque não há corredores nos negros horizontes do esquecimento súbito, de novo me perco por entre as rosas negras do jardim-labirinto por onde “sisíficas” vagueiam as minhas mágoas.
Agradeço, todavia, um pedaço dessas pedras nuas. Para dele extrair uma roseira negra que plantarei no meu jardim de flores negras. :)
Um abraço e bom fim-de-semana.
pergunto-me porque é que nunca chego a tempo, como se me saltassem os dias ou eles não existissem. como se fosse eu a esconder-me nas pedras e nas rosas.
espectacular conjugação de imagens!
Fogo e cinzas sobre uma galeria de esraldas e safiras...é o que me faz lembrar este teu post...
:-)
Um beijo
CSD
Enviar um comentário