a noite é matéria de delito .presença de todos os enigmas. textuantes.

e a cada instante a ausência do tempo é uma viagem do silêncio
a exactidão das coisas é ambígua e desloca-se no texto líquido. resguardo de vísceras que a ninguém faz de lençol.
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Publicada por
isabel mendes ferreira
em
21:31

falta um passo. apenas. um pequeno e árctico passo para soltar o incêndio. para que ardas no vento sacro e passo a passo sejas hemorrágico oásis e terminal. a chegada é submissa palha candura e banquete de falcões. apenas falta um passo. febril. e que seja sempre tarde a dor aos pedaços. e nunca mais a radiação vulcânica de um beijo à porta. _____________________________ fundo e primitivo és o interior de uma constelação de promessas. é véspera do destino. é sítio de domínio. é veneno maduramente mapa do fogo. obsessiva desordem dos afectos.
um passo. apenas. e amplio-te.
Publicada por
isabel mendes ferreira
em
9:17
domingo, 8 de Novembro de 2009
vi a mão. a tua mão cosida de rumores. antigos. escarpadas e cupulares de números e sinais. cicatriz feminina da diferença. fenda. mínima. um diálogo em forma de lira. alucinogénio. aliciante. de vícios. alucinantes. e vi a mão. a tua. dissolvente. a que empurra a morte como quem desfaz o sono e dele se cola às paredes em quartzo rupestre em doce miopia em tempo obstinadamente de chumbo. vi a tua mão. às vezes resistente. outras veludo. sempre velozes na quietude que é dispersão. vi. e esse solo instável onde instalei a viagem fez-se de sangue. __________________como é falso o fluir e o fulgor.como é longa a travessia ao longo do teu corpo. toda a plenitude é reclamável. insólita maturidade dos acasos. na tua mão suada. sudário.
Publicada por
isabel mendes ferreira
em
8:57
sábado, 7 de Novembro de 2009
cintilante o tecido oculto que abre o texto transfigurador. palavras soltas como se um herbário fosse ao mesmo tempo cândido e vocação de ar. apenas o mistério de um deus cansado se faz à substância . resta a música. a música de um corpo alheio ao celeste. e a tua mão. a ser essência do orvalho.______________________desamparadamente sem anverso nem reverso. tecido interior de todo o tumulto.
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
os momentos angelinos surgem como labirintos. clássicos. de Safo a Keats de Rilke a Lorca de Torga a Pessoa. ortónimos do fogo. sombria realidade. a do corpo cego. peregrinação de todas as quedas._________________é tão escasso o milagre do ritmo e da luz em ascese. e da asa. quebrada.que os anjos. sim esses teus ombros de anjo. depuram pelo excesso e fazem da distância bastarda o eco irradiante.
respiração do teu verbo a ser alimento de espadas.
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
procurei a porta que desse para o lado de lá do mundo.______________o afora.
como se fora a ideia e o seu profético destino.
eléctrico.
um momento que fosse deus e pássaro rendido ao fogo. redenção.
mas difícil é ser-se plano__________planície e jovem na rasura dos desertos onde a fonte é cal.ardente. metálica e oral . escala de ardências.
nudez e evidência. transições turvas de uma solidão próxima e lírica .
albergue dos cardos e sombra da luz. eléctrica a demolição dos contrários.
anarquia dos quatro cantos do mundo em cânticos de abutres que morrem. desossados. fascinante ciclo musical de uma realidade inrespirável.
e a porta fechada. em declive nocturno do que apenas é intuível.
um momento que fosse porta____aberta. musculada e imponente.
faro sangrante dos dias futuros. pulmão inchado de sol. opulento.
Publicada por
isabel mendes ferreira
em
0:44
Etiquetas: fts de imf
