P I A N O

P  I  A  N  O

o tempo é renda.e resguardo-te.porque me és estrela.

o tempo é renda.e resguardo-te.porque me és estrela.
sempre.

Domingo, 28 de Abril de 2013

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Sábado, 19 de Maio de 2012

e depois o tempo alto onde o branco é férvido veio chorar a colheita das pétalas e dar voz à depuração da voz. quem tem medo de ser escama faz-se estrela e depois centrifugação da pele sem nunca ser asfixia. agora mais flor invisto-me de marfim e com dois punhos de aço colho a outra face. e depois o tempo é outra vez abandono. solitário andor na curva do universo.

Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

sempre que o tempo parece mais exacto que a exactidão do momento pergunto se me lês ao lado ou ao centro do coração. nada que seja derradeiro ou dor nascente. assino uma pauta em branco que sem ser mortalha se assume bandeira ou rosa ou lírio ou passagem para um cutelo. o tempo é fermento e fermenta em névoa como se um alaúde nos fosse falésia ou ventre. vens conspiradamente iludir a terra e todos os símbolos. vens em elementos tutelares do silêncio. e sempre que o tempo nos demora mais exacta é a tentação do sangue.fiandeiro da imutabilidade.

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

não podendo eu ser a casa mais branca onde todas as sombras fossem a tua mão esculpida no meu ombro sou apenas água. a que se move devagarmente a caminho de um corpo vestido de palavras largas . sou ainda a usura de um momento que não tive e o anel que te deixei debaixo de apenas um ai enquanto o dia entardecia. não sabendo a tua morada o que se desprende desta lisura que também é ausência é um traço . ou apenas o deslumbre. que nunca se fecha. antes descai do céu. lugar oculto. culto das faúlhas sobre os ombros onde me faço fogo enquanto a casa nos é berço. e depois talvez chegue o segredo.


Domingo, 13 de Maio de 2012

de cada vez que uma porta se fecha fica mais nu o dia do pão triste sobre a mesa . como se andar aqui fosse a morte iluminada de uma veneza sem sombras. animal outonal na passagem de todas as pontes para o poente. rastilho de pinheiros magros no ensaio de uma terra abandonada. brisa que passa aveludadamente antiga de gestos e de canduras e de significados que só eu sei e que não iludo. a cada instante anoitece a conversa pacificadora dos anjos que enfim são estrondo e abandono._______________e é sobre a máscara dos náufragos que escrevo a assiduidade do silêncio. porque de cada vez que se fecha uma porta abre-se o ângulo da lavoura onde me desisto.

Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

nem tudo perdi quando a luz se fechou no teu olhar___________nem  as entranhas nem os dedos nem os dentes e nunca o espelho de lâminas onde a vida é arco gelado. andam a monte as portas as sagradas asas do precário de um tempo silencioso. sobram as cinzas as areias as sombras e um murro de estrelas violetas violentas vigilantes. sobra tanto ainda neste mapear do já consumido mas nunca da ira e do nome assinalado. há uma pedra que me pesa na mão e um osso partido ao lado do futuro. mas nunca  oculto o culto da iluminação. o que escrevo é um verbo recém-nascido morto de coincidências onde tudo se perde. onde tudo é inverso.


fto de Luis.....cedida por Graça Vaz...obrigada.

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