P I A N O

P  I  A  N  O

o tempo é renda.e resguardo-te.porque me és estrela.

o tempo é renda.e resguardo-te.porque me és estrela.
sempre.

Domingo, 12 de Fevereiro de 2012


cada enigma é uma estaca e esta uma boca amordaçada. os dedos falam agora a morte dos anjos e estes moram todos à tua porta. enquanto as máscaras caiem em sucessivos espelhos contrários à vida. que se nos resiste é só por uma tecla de sedução e outra de memória compulsiva. a alma de um texto é uma lágrima apenas e esta um oceano de falas mais íntimas que os cantores da falsa esperança. é sempre de branco que me visto quando tenho de te despir da solidão. ao longe moras-me mais dentro e mais adentro é que te faço regressado.
e muitas vezes vezes demais existes fluindo através das cartas fechadas. as que não te envio mas lês e guardas na inquietação da voz mais doce do silêncio das paredes pintadas de fogo e cal e chumbo e quando Bach te varre o coração devolvo-te os meus olhos postos ao alto da montanha. abrem-se as nuvens os rios as margens o ponto comum da seiva e da serenidade. sim. cada enigma é uma simples história do nosso entendimento. e escrevo-te no ponto mais alto do abismo.

Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011


eu sou o teu rosto. oculto. a tua face impressa debaixo da minha pele. em resguardo de terra macia em imagem ígnea equivalência dos sons átonos oráculo e árvore raios e dedos combustível e véu. sou a tua coesão sem panos falsos nem falsos direitos ou avessos. festa e pintura acção e pausa corte e figura trajectória e membrana gramática e cais pontuação e margem. tudo no lado mais vizinho do impossível. Hamlet e agulhas. Dostoievski e pranto. Plotino e festa. ofício revisitado no júbilo de te ser o rosto oculto. fora de nós resiste a desenvoltura dos óvulos do fumo e da revolta. e depois entre o soneto e a casa serás sempre o caminho indissolúvel da luz. o rosto . a matéria serva do coração.

Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011


agora que a memória é de água em carpe diem oxímoro e animal distante é que me faço em arco descrevente. para não ser o que fui em asas e em manchas de vésperas e de labirintos. a cidade fez-se corpo ambulante em amados tons sombrios como rosas imperceptíveis no verso de cada sílaba brava e doída. nasce o absoluto no breve instante de cada despedida em mortalha e em consciência. porque nada resta da rasura das penumbras nem do hálito das aves mortas. virtuosas e cândidas são hoje augúrio triste. um navio ao longe é mais o meu corpo que este corpo que me é hábil destreza de jazer sobre as águas da memória.____________as mãos passam a elementos estranhos. cravos sacrificados torres ardentes no chão à sombra da montanha. secam. secam à velocidade do esquecimento. sandálias de palha à tua porta. desgaste. lucidez. lâmina. afluente de uma guerrilha em espera. que o dia é um sermão assazmente líquido. de costas feridas. voltadas em arco-íris violado.

Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011





um canto.recanto.cântico. onde a palavra é eco sangrante.



ser assim:___________________Nuno Teixeira de Sousa.

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011


dia 30 de Agosto - terça-feira a partir das 18 horas no Centro de Interpretação Ambiental de S. Pedro Estoril. Nesse dia e a essa hora, será lançada o livro “a. des.escrever esta língua que me é mar”._____________um registo ímpar de como ser-se maré alta dentro do olhar. é assim o José Rodrigues que agora se "lança" às margens marinheiras. vale a pena passar por lá. mergulho profundo.

Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

sempre que muda a extensão do corpo submerso muda a morte do tempo. assim como se fosse uma idade fictícia e um sopro inomeável ambivalente e navegação suicidante. coisas do destino da água que é encontro e despedida bandeira sangrante e instrumento de todos os monólogos. subterrânea linha do áspero e do misterioso. somos a memória proliferante que de Borges a Verlaine nos redesenha o grito. sempre que muda o verbo mudamos o renascimento. e daqui é que sou coincidente estrada e vadia. evado-me em arcos e em rupturas de veludo agudo salgado doente adoecido de eufrates e de tréguas. vou à frente buscar o passado. ave a pique de asas cortadas.


fto de Luis.....cedida por Graça Vaz...obrigada.

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